Hábito cada vez menos
estimulado, a leitura é essencial e
inspiradora. Buscamos mulheres
apaixonadas por leitura para
contarem sua relação íntima comos livros.
Segundo Ariano Suassuna, quem gosta de ler não morre só. É fato que a leitura é o exercício do cérebro e, a partir dela, criatividade, escrita e senso crítico se desenvolvem.
Seja com o livro físico ou leituras digitais, como o Kindle, ler é viajar sem sair do lugar.
Apaixonada por leitura desde a infância, a advogada Caroline
Magagnin traz o hábito de casa, onde sempre foi incentivada
pelos pais.
“Sempre li muito, na minha casa o hábito sempre foi muito incentivado e valorizado. Meu pai é um leitor assíduo, destes que escrevem nos livros. Acho uma delícia encontrar um
fragmento de alguém nas páginas lidas”, revela.
Embora durante muitos anos as leituras obrigatórias de escola e faculdade tenham tornado o hábito “enfadonho”, como define, na pandemia reencontrou a paixão pela leitura. Desde então, lê
em média um livro por semana, sempre equilibrando com os acontecimentos da sua rotina. Compartilha dicas e resumos em seu Instagram, onde incentiva seus mais de 12 mil seguidores a adquirirem o hábito.
Se orgulha de já ter feito inclusive amigos por conta de suas dicas de leitura. “Para nós, os amantes da literatura, é muito bom encontrar alguém que já leu o mesmo livro.” Para Caroline, a leitura cria repertório, tornando as pessoas mais interessantes.
“Uma das coisas que me dá mais alegria nas minhas páginas de rede social é saber que influenciei alguém a ler um livro ou até mesmo iniciar o hábito.” Para ela, essa é a melhor influência.
VOCÊ PODERIA NOS INDICAR 3 LIVROS?
Só três? Nossa, tarefa mais difícil que essa, não há. Mas vou tentar. Primeiro não posso deixar de falar de Crime e Castigo, o primeiro clássico que eu li na faculdade. Dostoiévski é um gênio na arte de criar personagens. Li há muitos anos e o livro ainda permanece em mim. Em uma semana chuvosa da pandemia, li A casa dos espíritos, da Isabel Allende. É um livro mais famoso, conhecido, já tem até filme sobre ele. Mas ele me impactou de um jeito tão intenso. Isabel cria verdadeiros heróis e heroínas e os livros dela são sempre maravilhosos. Tem um
outro livro que eu amo, que se chama “Vamos comprar um poeta”, do Afonso Cruz. Este livro tem uma história muito boa. Uma amiga leu e me disse, “tu vais amar”. Li em poucos dias e chamei ela para conversar e contar que tenho vontade de distribuir este livro no mundo”. A história fala da delicadeza da vida.
Impressionantemente bom.
A LEITORA QUE VIROU ESCRITORA
Um dos nomes que mais se destacam entre a nova geração de autores lajeadenses, Gabriela Leal escreveu “A língua da Medusa”, um livro de contos, lançado em 2022 pela editora Zouk. Mestranda em Escrita Criativa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, lançará em 2025 seu segundo título, um romance fruto de sua dissertação.
Encontra na escrita, um prazer imensurável. “Criar é acessar um pouco da dimensão divina do ser humano. É bonito. E gostoso, ainda que por vezes tenha certas angústias.” Apaixonada por leitura desde muito cedo, acredita que todo leitor é um escritor, pois é ele que vai atribuir sentido ao texto. “Quem escreve faz só
metade do trabalho, a outra metade precisa ser feita por quem lê.”
AS LEITURAS DE GABRIELA
Na infância a escritora considerava os livros seu abrigo. Sentia que eles a protegiam de ambientes hostis, se tornando uma fuga para um lugar seguro. Prova disso é que até hoje entende a leitura na infância como a base de bons adultos leitores.
Embora hoje tenha uma rotina de leitura, conta que o volume de livros varia muito. “Aprendi com o professor Assis Brasil que é importante a gente ler menos. Claro que ele fala isso para leitores esfomeados, e acho que ele tem razão.” Houve um tempo em que lia demais, o que atrapalhava seu envolvimento com o livro. Hoje preza por ler menos, mas melhor.
Além disso, varia muito as leituras e tendo alguns livros simultâneos. “Gosto de ler um conto toda manhã, uma poesia toda noite, uma crônica nos momentos de intervalo breve, romances nas pausas maiores, não ficção conforme a matéria que estou interessada em estudar.” Sua dica é diversificar a leitura, o que considera um bom exercício.

A NOVA GERAÇÃO DE AUTORES LAJEADENSES,
GABRIELA LEAL ESCREVEU:
“A LÍNGUA DA MEDUSA”,
UM LIVRO DE CONTOS, LANÇADO EM 2022 PELA
EDITORA ZOUK.
Fotos: Fany Machado